Artigos

12/03/2020

O TEMA, A VIDA, O HOTEL

Prof. Tales de Sá Cavalcante

O Povo. 12/03/2020 (quinta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

Domingo à noite. Uma dúvida. Cheguei ao hotel com dois temas em mente para meu próximo artigo em O Povo. A fim de tomar a decisão, tive o prazer de ali escolher o melhor de seus lugares: o lobby. E pensei: por que não escrever sobre o que estou a observar?

Lá a gente vê quem sai, quem entra, quem fica. Enfim, é, no mínimo, uma amostragem do nosso país, ou até do mundo, uma vez que ali estavam cidadãos estrangeiros, inclusive da China, em plena era do surto do novo coronavírus, o Covid-19. Os chineses logo se dirigiram aos seus quartos, e os burburinhos ocasionados por suas presenças permaneceram no café da manhã do dia seguinte.

Uma senhora e um rapaz, de mãos dadas, em vez de ficarem em quartos diferentes, se hospedaram no mesmo quarto e geraram um rumor entre os recepcionistas após estes lerem os sobrenomes distintos nas fichas de registro do hotel. E pude perceber como, às vezes, o que não é da conta de ninguém desperta a atenção de todos.

Ao meu lado, um casal idoso ligado à TV, o que me fez lembrar interessante encontro no aeroporto de Brasília. Estava eu na livraria, e um senhor, a aparentar alegria por estar entre livros, indagou-me: “Você gosta de livros?” Respondi: “Sim. Meu lugar preferido é entre eles.” E ele afirmou a seguir: “Pois eu adoro televisão. É que, graças à TV, minha mulher a ela se dedica, e eu posso ler.”

Minha irmã Hilda costuma dizer que descobre qual é o cabeça do casal ao saber com quem fica o controle remoto. Ao observar os citados idosos, verifiquei que, entre cochilos e novos cochilos, a senhora era a soberana do controle, pois, na ausência deste no lobby do hotel, ela obrigou o marido a tentar mudar de canal e de volume.

Despertou a minha atenção a postura do casal. Os dois poderiam ter permanecido, como se diz no Nordeste, restritos ao fundo de uma rede. Não. Resolveram viajar, conhecer as praias do Recife, e, ao chegarem ao hotel, ficaram ligados à TV não no quarto, mas no lobby, onde tudo se passa, tudo se ouve e tudo se vê, coisa de quem tem uma idade mental menor do que a física.

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